- 25 de setembro de 2025
- Posted by: Adriana Básica Comunicação
- Categories: Atualidades, Carreira, CONPARH, Datas, Eventos, Gestão, Mercado de Trabalho
O autor do livro “A Potência da Liderança Consciente”, Daniel Spinelli, empreendedor e palestrante internacional, foi o convidado do evento Bom Dia RH, realizado nesta quarta-feira (24), na sede do Conselho Regional de Administração do Paraná (CRA-PR). Na ocasião, ele apresentou reflexões sobre práticas que ampliam a consciência no ambiente organizacional e fortalecem a formação de líderes capazes de inspirar, engajar e transformar.
A abertura foi conduzida por Gilmar Silva de Andrade, presidente da ABRH-PR e do CRA-PR, que deu as boas-vindas aos participantes. “É uma honra receber todos na casa do administrador. Estamos celebrando os 60 anos de regulamentação da profissão com uma série de eventos e esta manhã faz parte desse marco”, afirmou.
Gilmar reforçou que o tema das quatro dimensões da liderança consciente é extremamente atual. “A liderança é, acima de tudo, um comportamento. Mais importante que a teoria é a prática. E a humildade é o que permite a conquista genuína da equipe”, destacou.

Também presente na abertura, a vice-presidente da ABRH-PR, Vera de Mattos, apresentou o palestrante e compartilhou novidades do XVIII CONPARH. “A edição de 2025 trará inovações, diversidade de palestrantes, uma sala de experiência imersiva e uma feira de negócios aberta ao público”, adiantou. Ela finalizou desejando uma ótima experiência aos participantes com a apresentação de Daniel, que será um dos painelistas do evento.

Segundo Daniel, liderar conscientemente é um processo que começa dentro do líder (autoliderança), passa pelo modo como ele se relaciona com a equipe (liderando pessoas), se expande para a atuação sistêmica (interdependência) e culmina no impacto que deixa (legado). O modelo busca alinhar resultados e propósito, unindo autoconhecimento, inteligência relacional, clareza de propósito e gestão responsável.
Na palestra, ele propôs um mergulho nas chamadas nas quatro dimensões da liderança consciente, um modelo que busca alinhar resultados e propósito. Essas dimensões englobam práticas voltadas ao autoconhecimento, à inteligência relacional, à clareza de propósito e à gestão responsável. Cada uma delas oferece ferramentas que auxiliam líderes a inspirar suas equipes, engajar de forma genuína e transformar ambientes de trabalho em espaços mais colaborativos e sustentáveis.

Ele lembrou que muitos líderes enfrentam solidão e pressões constantes, e que a liderança tradicional já não dá conta dos desafios atuais. “Embora novas tecnologias exijam competências técnicas, o mundo demanda cada vez mais habilidades humanas, como empatia, resiliência e criatividade”, afirmou.
Autoliderança
A primeira dimensão é a autoliderança. Para Daniel, a transformação começa de dentro: sem clareza de valores, crenças e limites, a liderança se torna reativa. Ele defendeu práticas de mindfulness, reflexão e regulação emocional, além do método RAIN (Reconhecer, Aceitar, Investigar e Nutrir), que ajuda a lidar com emoções de forma consciente. Essa dimensão trata o líder como ponto de partida. “Todo líder forte começa com uma boa autoliderança. Nela se combinam autoconhecimento, autogestão emocional, protagonismo, qualidades humanas essenciais.
Liderando pessoas
Na segunda dimensão, destacou a escuta ativa e a comunicação empática como pilares. Citou o pensador Rubens Alves e o conceito de “escutatória” (a arte de escutar) e os quatro níveis de escuta de Otto Scharmer — da habitual à generativa — e lembrou que o verdadeiro poder da liderança surge de relacionamentos genuínos. “Liderar é inspirar, acolher e criar espaços seguros para que as pessoas se desenvolvam”, resumiu. “Essa dimensão é sobre como se relacionar, tanto no plano individual quanto coletivo, de modo consciente”, disse, enfatizando a importância de propósito, segurança psicológica, comunicação empática e engajamento de equipe”, frisou.

Interdependência
Na terceira dimensão, interdependência, o palestrante ressaltou a importância de superar a mentalidade de “nós contra eles” dentro das empresas, e contou experiências pessoais para mostrar o valor da empatia e da curiosidade. “Práticas como troca de perspectivas e visão de equipe única ajudam a reduzir conflitos e fortalecer a colaboração entre áreas”, afirmou. Como práticas para aumentar a sinergia entre as equipes, listou três: curiosidade e não-julgamento, tomada de perspectiva e visão de um único time. “Essa terceira dimensão eleva o olhar para além da equipe imediata, reconhecendo os fluxos entre áreas, as conexões estruturais da organização e seu ambiente externo. “Proponho uma visão sistêmica e interdependente como chave para ambientes colaborativos e sinérgicos”.
Legado
A última dimensão, legado, convida líderes a refletirem sobre o impacto de suas ações. Para Daniel, a maior recompensa de um líder é ver vidas transformadas. “Não se trata de ser bonzinho, mas de ter coragem de enxergar e desenvolver o potencial das pessoas”, disse. Ele defendeu que propósito e valores claros devem inspirar todos os colaboradores, do CEO a quem serve o café. Lembrou uma valiosa lição que aprendeu com outros líderes mais experientes: a maior recompensa na carreira não é o cargo, o salário ou o poder, mas sim a gratidão sincera de alguém cuja vida foi positivamente transformada sob sua liderança. “Construir uma jornada de significado, resultados e lucros maravilhosos – ou seja, deixar um legado. Esse fundamento reflete a importância de propósito, ética, valores duradouros, e de colher frutos que transcendam sua gestão”.

Jornada contínua
Daniel lembrou que liderança consciente não é fórmula mágica, mas prática diária. Exige coragem para enfrentar fragilidades internas e consistência em jornadas de aprendizagem. “A transformação cultural só é possível com líderes e equipes aprendendo juntos”, afirmou. Ele desmistificou a visão idealizada do autoconhecimento (“campo de flores e perfumes”), afirmando que o processo de autoliderança também envolve encarar a própria sombra. Vamos enfrentar a autossabotagem e assumir a responsabilidade por nossa transformação”, frisou.
Ao encerrar, recitou o poema “Aquietar-se”, de Pablo Neruda, ressaltando a importância das pausas para a introspecção. “A consciência começa quando temos coragem de parar, silenciar e refletir”, concluiu.
Texto: Básica Comunicações
Fotos: Leandro Provenci / Gian Galani